__________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ MUCABA ANGOLA C.CAÇ.2613

2017-07-09

6º ALMOÇO CONVÍVIO DA C.CAÇ. 2613


6º ALMOÇO CONVÍVIO DA C.CAÇ. 2613

Realizou-se no passado dia 17 de Junho na Quinta da Malhadinha, em Ceira - Coimbra, o almoço habitual da nossa companhia, que reúne camaradas de armas e seus familiares, em agradável e salutar convívio onde se gravar os tempos passados ​​em Mucaba , Angola, onde tivemos momentos bons outros nem tanto ... Foram gravados os camaradas que nos deixaram, uns ainda em serviço, outros já depois do nosso regresso. Para o próximo ano lá Estaremos mais uma vez, se Deus quiser. Vamos todos fazer uma forçinha, este ano houve vários camaradas que faltaram à chamada, uns que não quiseram, outros porque não poderam pelos mais variados, e até os que formam o lugar e depois não compareceram, lembramos em que o que é o número de Presenças ao restaurante, que querem como se essas pessoas lá estivessem. Queremos agradecer a todos os que são formados, e para o próximo ano contamos convosco, é só uma vez por ano, que vale a pena para a satisfação de encontrar de novo os velhos camaradas, bem hajam.

2017-04-08

António Manuel Coelho Fernandes (Vinagre)

 É com sentido pesar que comunicamos o falecimento  no dia 5 de abril por motivo de doença, do nosso camarada, Antonio Manuel Coelho Fernandes (Vinagre) soldado 11800269, a Companhia de Caçadores 2613, fica mais pobre com a perda deste nosso camarada. À família enlutada enviamos as mais sinceras condolências. Ao nosso camarada de armas, desejamos que descanse  em paz. 

2015-07-11

4º ALMOÇO DE CONFRATERNIZAÇÃO DA C.CAÇ 2613 - CARAMULO 2015



Realizou-se no dia 13 de Junho  mais um almoço convívio  da nossa  companhia, a todos os camaradas e seus familiares presentes, agradecemos a sua participação, sem ela não seria possível o êxito destes eventos, para nós que organizamos, é um motivo de alegria ter tantos e bons camaradas, a responder à nossa chamada e esperamos contar com a presença de todos, ou mais, no próximo ano. Apesar do dia não estar muito agradável,  devido a ao tempo chuvoso, mas tudo correu bem felizmente.

Em meu nome, e do Mendes, quero deixar aqui também, um agradecimento ao José Manuel Lopes pela colaboração prestada junto do restaurante, ao Graça (Cebola) que embora não podendo estar presente, se deslocou ao Caramulo  para com o Lopes tratar do restaurante, ao Gomes (madeirense) que com a sua enorme vontade de rever os camaradas não dá descanso ao telefone, e por último, ao nosso " Comandante da Companhia " Carlos Tapadinhas, pela sua dissertação ( embora não tenha ficado muito bom o filme ) sobre a nossa presença no Norte de Angola.

Edgar Moreno 

2015-03-28

Jantar no Café de Mucaba. Quem foi que fez anos...? 

2015-02-17

DE QUIBALA A MALELE

   Do seu autor,  recebi como oferta um livro intitulado.  
"De Quibala a Malele ”, é um livro sobre  a guerra no Norte de Angola no período,  de 1966/67/68, na Companhia de Caçadores 1463,  mais ou menos, um ano depois, seria a nossa vez de embarcar, com o mesmo destino,  rumo ao desconhecido, com aquela sensação, de não saber o que nos ia esperar.
Com um preâmbulo, histórico-politico, resumido, mas bem arquitetado, o camarada Sérgio O. Sá, prepara o leitor para um relato, quase um diário, sobre a sua experiência na guerra colonial, muito semelhante aquela por que nós passamos na Companhia 2613, principalmente a minha, pois tal como eu, o Sérgio Sá era enfermeiro, enfrentou os mesmos desafios, as mesmas dúvidas, os mesmos medos, as mesmas responsabilidades de em determinadas situações, poder ter na mão a vida de camaradas, sem pensar na sua própria vida.


“ Angola
    Estava o ano de 1965 a chegar ao fim quando, por força das circunstâncias de então, aí fui parar.
    Deste-me do “ pão que o diabo amassou “. Nas tuas picadas, nas tuas matas, nas margens dos teus rios,  sob o sol escaldante na tua savana,  na humidade do teu cacimbo, nas molhas dos dias consecutivos sob a tua chuva, nas fraquezas que me apoquentaram, nas centenas de quilómetros que galguei a pé e nos milhares que percorri em viaturas, passando pelas terrinhas perdidas na imensidão do teu chão, onde gente branca e negra enfrentava a vida – e a morte – a seu modo. Uma sem a verdadeira noção da sua cidadania; outra sofrendo a cativante inocência do seu existir.
    Oh Angola! Eu sabia que não eras minha, que não eras nossa, ao contrário do que teimavam em afirmar. E não foi fácil o meu viver no tempo em que me tiveste.
     Mas porque me prendeste desta maneira? Que fascínio tinhas, e tens, para me deixares com esta pungente, mas saborosa, nostalgia quando penso ou falo de ti ?
     O autor  “

No final do seu livro Sérgio O. Sá, escreveu vários poemas também de sua autoria e também por ele musicados,  e cujas músicas estão publicadas no mesmo livro.
                                              
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Se alguém estiver interessado em adquirir este livro, deve contactar o autor através dos seguintes endereços:


Sérgio O. Sá
Trav. da Devesa, 71

4475-823  Maia

2015-02-16

DAMBA DEPOIS DE 1971




2014-05-04

3º Almoço Convívio da Companhia de Caçadores 2613




Realizou-se mais um almoço convívio dos elementos da Companhia de Caçadores 2613 do Batalhão 2891, o almoço teve lugar no Restaurante Manuel Júlio em Santa Luzia, Mealhada.

O evento decorreu como sempre, com muita satisfação e alegria de todos os camaradas e suas famílias,  tivemos este ano mais alguns camaradas que não teem comparecido nos anteriores eventos,  contando-se  entre estes o   nosso  ex-comandante de companhia,  a todos agradecemos a presença, e esperamos voltar a encontra-los no próximo ano, que será em principio no dia 13 de junho, na zona de Pombal.

2014-03-12

3º ALMOÇO CONVÍVIO - 2014

Caros amigos e Camaradas
Mais um ano se passou, é com prazer que volto a contactar-vos para vos comunicar que o nosso almoço convívio se realiza no dia 26 de Abril (sábado), no Restaurante Manuel Júlio em Santa Luzia – Mealhada, esperamos poder contar com a presença do maior número de camaradas juntamente com os seus familiares e amigos que nos queiram acompanhar. Vamos, pela 3ª vez juntar todos os companheiros da C.Caç 2613, que conseguirmos, já que este ano temos mais alguns que no passado ano não podemos contactar, vamos festejar, vamos conviver e recordar os bons, e até os maus momentos que passámos, lembrando os que infelizmente já não estão connosco, vamos festejar aos que ainda nos acompanham.
O ponto de encontro será junto do próprio Restaurante, pois será fácil de encontrar seguindo as indicações que assinalamos nas imagens abaixo, convinha que todos estivessem no local até às 12:00 horas para assim termos algum tempo para a habitual cavaqueira antes do almoço
Agradecemos a confirmação com o numero de pessoas, e se houver crianças, as respetivas idades,  pelo menos até ao dia 16 de Abril.
Edgar Moreno: Tel: 214390880 - Tlm: 968401045 ( depois das 19:00 H.)
Rua Alexandre Herculano, nº6 – 4ºDt.        2745-234   Queluz
E-mail: edgar.moreno@vodafone.pt   ou  edgar.moreno@sapo.pt
Antonio Mendes: Tel: 253098897 – Tlm: 962364539

Coordenadas do restaurante: N 40.305256     W: 8.448820




2013-05-03

2º ALMOÇO CONVÍVIO DA C.CAÇ 2613 - 2013


Realizou-se no dia 27 de abril passado, o 2º Almoço Convívio da nossa companhia, que teve lugar no Restaurante  "o Jorge " na Quinta da Malhadinha em CEIRA - COIMBRA.
Como se esperava os camaradas da 2613 compareceram em força embora se contasse com maior número de presenças mas por motivos de saúde e outros compromissos, muitos dos camaradas que nos tinham prometido a sua presença faltaram, embora alguns nos tenham comunicado a impossibilidade de estarem presentes, outros houve que nada nos disseram, mas vamos continuar a contar com eles, talvez para o próximo convívio que pensamos realizar na zona da Mealhada.
Após o encontro no ponto marcado, embora com alguma confusão devido às obras que estão a decorrer em Coimbra junto ao Portugal dos Pequenitos, seguimos em coluna (parece que ainda estamos em Angola), para o restaurante onde já se encontravam alguns camaradas que resolveram ir diretos para lá.
O encontro decorreu na maior cordialidade e boa disposição, tendo muitos dos camaradas "matado" saudades alguns de mais de 40 anos, recordaram-se bons e maus momentos, recordaram-se e homenagearam-se com um minuto de silêncio, os camaradas já falecidos, e transmitiram-se as saudações daqueles que não podendo estar presentes fizeram questão de enviar um abraço a todos e cada um dos presentes. Não podendo esquecer o camarada Gomes o "Madeirense", que tanto se tem esforçado para que estes encontros se realizem, e que este ano por motivo de doença não pode estar presente, para ele vai um abraço de agradecimento e amizade.
Edgar MORENO






2013-03-17

ALMOÇO CONVIVIO 2013




Caros companheiros

É com prazer que volto a contactar-vos para vos comunicar que  o nosso almoço convívio se realiza no dia 27 de Abril  (sábado), no Restaurante O Jorge  Quinta da Malhadinha em Ceira – Coimbra, esperamos poder contar com a presença do maior número de camaradas juntamente com os familiares e amigos que nos queiram acompanhar. Vamos, pela  2ª vez juntar todos os companheiros que da C.Caç 2613, que conseguirmos, já que este ano temos mais alguns que no passado ano não podemos contactar, vamos festejar, vamos conviver  e recordar os bons, e até os maus momentos que passámos, lembrando os que infelizmente  já não estão connosco, vamos festejar aos que ainda nos acompanham.

O ponto de encontro será em Coimbra junto ao Portugal dos Pequenitos, convinha que todos estivessem no local entre as 10:30 - 11:00  horas para depois seguirmos todos para o restaurante.

Agradecemos, a confirmação, com o numero de pessoas, e se houver crianças, as respetivas idades, pelo menos até ao dia 20 de Abril.

Edgar Moreno: Tel: 214390880 - Tlm: 968401045

Rua Alexandre Herculano, nº6 – 4ºDt.            2745-234   Queluz

Antonio Mendes: Tel: 253098897 – Tlm: 96236453



2012-10-05

1º ALMOÇO CONVÍVIO DA C.CAÇ.2613 - 2012



O Almoço Convívio da Companhia 2613, foi um êxito, o que me deixou bastante satisfeito, pois ao contrário daquilo que alguns queria fazer crer, a maior parte dos camaradas contactados de norte a sul, compareceram e todos confraternizaram em alegre e sã camaradagem, matando saudades que para alguns já era de 40 anos. Da minha parte como um dos organizadores, quero agradecer a todos que disseram " Pronto" ao Mendes e ao Santos pela preciosa ajuda que me deram ao Martins pela paciência de nos aturar e em especial ao Gomes que desde a Ilha da Madeira não poupou os esforços para contactar o maior número de camaradas para estarem presentes.
Espero para o próximo ano poder contar com todos os que se fizeram presentes, e se possível com muitos mais.
Bem hajam.


Edgar Moreno










2012-08-14

ALMOÇO DE SAUDADE



Almoço Convívio da Companhia de Caçadores 2613 

Restaurante “MILITA” Proença-a-Nova   (Zona Industrial)

Dia 30 de Setembro de 2012

Coordenadas: N 39° 44,189 - W 7° 54,605 

EMENTA
Aperitivos servidos no jardim:
Salgados, Enchidos, Maranhos, Paio, Presunto, Queijo, Bebidas
Entrada: Melão com presunto

Sopas:  Peixe / Legumes


Prato de peixe: Bacalhau c/broa crocante

Batata dourada e Salada mista

Prato de carne: Cabrito / Bochechas de porco

Batata frita,  Arroz de cenoura,  Couves c/ Broa
Vinhos da Casa

Sobremesa: Tigelada,  Arroz doce,  Frutas laminadas

Café e Digestivos

Preço por pessoa: Adultos, - € 20,00 

Crianças dos 6 aos 12 anos, - € 10,00 
Crianças até aos 6 anos não pagam   

Concentração pelas 12 horas, no jardim do restaurante, não há problemas de estacionamento.

Para quem vem do norte, pode seguir pela A1 até Pombal depois apanha o IC8 até Proença-a-Nova.

                   

2012-07-12

ALMOÇO CONVÍVIO DA C.CAÇ.2613 - 40 ANOS DE SAUDADE











Caros amigos e camaradas, há muito tempo que se pensa realizar um almoço convívio só com pessoal da nossa companhia, já que muitos não costumam ir ao almoço do Batalhão, será uma maneira de nos encontramos e matar saudades, para muitos de nós já lá vão 40 anos.
Temos estado a contactar por correio ou telefone, no sentido de alertar para o facto, e para  irem preparando disponibilidade para esse dia.
Já marcamos a data que será no dia 30 de Setembro, domingo. O restaurante  também já está marcado, só teremos que confirmar o número certo de pessoas, mais próximo da data.
O almoço será em Proença-a-Nova no Restaurante Milita, assim ficará mais fácil para os que vierem do norte, bem como para os que vão do sul.
Votaremos e contactar mais próximo da data para confirmação, e informação da ementa e respectivo valor.


Um abraço, 


Edgar MORENO

2012-05-21

FOTOS DO CONVÍVIO B.CAÇ.2891 - 2012

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2012-05-18

COMPANHIA DE CAÇADORES 2613

Rapazes da Companhia 2613,alguns infelizmente já nos deixaram definitivamente, mas estarão para sempre na nossa memória, os outros, que ainda estão connosco, mas não estão presentes nesta foto, esperamos que estejam presentes no almoço que estamos a pensar fazer e que por sugestão do ex-alferes Magueijo e transmitida ao Gomes (madeirense)e que este por telefone me comunicou, deverá ser para principio de Outubro se houver concordância de todos, vou contactar todos que tiver hipótese, e espero confirmações.

40º CONVÍVIO DO BATALHÃO DE CAÇADORES 2891

Realizou-se no dia 5 do corrente mês, mais um almoço convívio do Batalhão no qual como é costume, participaram vários camaradas das quatro companhias do batalhão. Mais uma vez não me foi possível estar presente como gostaria, por isso não posso fazer um relato pormenorizado do evento, se algum camarada que tenha estado presente e quiser fazer o relato, terei muito gosto em publicar, basta enviar para o meu e-mail.

2011-12-07

QUANDO ACABOU A GUERRA ?

2011-10-10

ALMOÇO CONVÍVIO 2891

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As fotos apresentadas neste vídeo fazem parte de um vasto conjunto enviado pelo António Mendes, e que dividi em dois grupos pois de dois convívios se trata.

2011-10-08

ALMOÇO CONVÍVIO 2010

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2011-07-26

«O MADERÊNSE»

Eu estava longe de receber uma chamada de telemóvel da ilha da madeira, afinal meus amigos na
ilha, só alguns Radio amadores com os quais de vez em quando trocamos alguns QSO's, (isto é linguagem de radiocomunicações) nem sequer me passou pela cabeça quem era, tão longe estava de tal chamada, mas a voz e o dialecto eram inconfundíveis... era aqui o nosso amigo do meio, ele sentia-se bem entre um enfermeiro e um corneteiro/enfermeiro, entre outras habilidades.
Pois é era o nosso amigo Gomes, o « Maderênse », apanhou o meu numero de telele e toca de ligar, confesso que fiquei surpreso, mas foi uma surpresa bastante agradável pois havia tantos anos que não nos falava-mos, foi realmente muito agradável, obrigado Gomes por te lembrares de mim!
O nosso amigo Carneiro não sei o que é feito dele,espero que ele um dia também me faça uma surpresa.

2010-09-05

PAUSA

Hoje é domingo, não há operações marcadas, para esquecer por algumas horas o mato, os trilhos, as picadas e os perigos que estes encerram, e como não estamos de serviço, eu e o saudoso" Zé da Costa", vestimo-nos à civil, é uma maneira como já disse de esquecer por um dia que estamos em guerra.


O 1º Cabo Mendes, o Padeiro e o Cozinheiro da Messe de Sargentos, estão fardados, que me desculpem os dois últimos pois não me recordo do nome deles. O local do descanso, o alpendre da messe de Sargentos, ah... e também está o cachorro pastilhas quando tinha cerca de um mês.

2009-10-07

O FADO DAS LATRINAS


MOMENTOS DE FADO ...JUNTO ÁS LATRINAS DA AMBUILA!
Gomes, Carneiro e Moreno!
Posted by Hello

2009-10-06

Este livro escrito por Jorge Ribeiro, relata a história de uma professora que encontra no ensino da História de Portugal uma lacuna, que é a falta de ensinamento aos mais jovens, o que foi a Guerra Colonial ou Guerra do Ultramar, conforme o ângulo de que é visto este período da nossa história recente, e decide dar aos seus alunos de uma maneira diferente uma aula sobre a guerra.
Uma aula em que alem dos alunos tivesse também a participação dos pais e dos avós, antigos combatentes que contaram como foram "obrigados" a ir para uma guerra da qual pouco ou nada sabiam.
Vale a pena ler!
Autor: Jorge Ribeiro - Jornalista e Escritor
Edição: Calendário - http://www.calendario.pt/ - E-mail: geral@calendario.pt

2009-09-26

MEMÓRIAS SOLTAS DE UM EX-COMBATENTE 19

Esta noite tive um sonho coisa que já não é de estranhar, como quase sempre povoado de fantasmas, fantasmas dum passado (não muito recente já lá vaõ quase quarenta anos) que teimam em me provocar talvez testando a minha resistência psíquica e mental, já lhes provei mais que uma vez que não me voltam a deitar abaixo, aconteceu uma vez por acaso, agora chega, não ganhei a guerra mas tenho vencido as batalhas.

Encontrava-me numa das margens do rio Bite-Bite, aquele que segundo contavam, um camarada de uma companhia anterior à nossa tinha, numa travessia a pé sido arrastado para o fundo por um Jacaré e que nunca mais foi encontrado, não sei da veracidade da história, mas uma coisa ela me provocava sempre que tinha-mos que atravessar aquele rio, um frio pela espinha que conseguia ser mais frio que a própria água que nos ensopava a todos.

Tinha chuvido bastante durante a noite, o local que tínhamos que atravessar era bastante fundo com uma corrente de apreciável força, com uma vara tentamos ver qual era a profundidade, daria pela cintura aos mais altos como eu, mas a meio do rio de certeza que ara mais fundo, para encontrar -mos um sitio com menos profundidade teríamos que subir muito pela margem o que não era fácil, e iríamos desviar-nos da rota traçada para objectivo em vista. Tentamos prender uma corda na outra margem mas não conseguimos, também ninguém teve coragem de atravessar o rio a nado e assim prender a corda na outra margem, a corrente do rio era muito forte e a tal história do jacaré dançava no cérebro de cada um.

Resolvemos depois de várias opiniões escolher na margem uma árvore fina e com comprimento suficiente para atravessar o rio e ajudar-nos a nós a atravessar também, descoberta a dita que tinha cerca de 30 a 40 cm de diâmetro, o trabalho seguinte era deitá-la abaixo de modo que a mesma caísse de modo a fazer uma ponte, a única ferramenta para tal era a catana do nosso guia negro, também se podia fazer na base um corte para encaixar uma granada ofensiva e faze-la explodir à distância, (não havia cordão explosivo), mas isso iria denunciar a nossa presença coisa que não nos interessava, levamos muito tempo para deitar abaixo aquela árvore só com um catana, mas um pouco a cada um com mais ou menos jeito lá foi, não chegou bem ao outro lado do rio mas já era suficiente, os primeiros a passar foram cortando aqueles ramos que atrapalhavam mais.

Já haviam passado uns três e a nossa ponte começou a tornar-se perigosa devido à chuva e à lama, então resolvemos passar por dentro de água usando a árvore como travão para que a corrente não nos levasse, sempre a pensar naquele maldito Jacaré, mas a água era tão escura que não nos deixava ver nada, quando cheguei a meio do rio a água já me dava quase aos ombros, tive que me agarrar ao tronco com um braço, e com o outro manter a arma e bolsa de enfermeiro fora de água.Foi um alivio para todos quando nos encontramos no outro lado do rio, como já estava a escurecer procuramos um local para montar o acampamento no dia seguinte teria-mos que recuperar o tempo perdido em direcção ao objectivo, claro que esta seria mais uma noite a dormir com a roupa toda molhada, porque não havia hipótese de a mudar, e dormir sem roupa no mato era coisa que não passava pela cabeça de nenhum de nós, e também não havia roupa para mudar o que seria peso extra, também sabia-mos que de manhã estaria praticamente enxuta.
Despertei ao som da voz do locutor da RDP anunciando que já passavam trinta minutos das oito da manhã, levantei-me bruscamente e não vi os panos de tenda sob os quais tinha adormecido,tampouco os camaradas tinham ficado comigo no mesmo abrigo...afinal tinha sido mais um sonho,mas quase tão real porque o que eu vi em sonho aconteceu mesmo, talvez os pormenores não tenham sido assim mas foram muito semelhantes, só que por mais que tente não me consigo lembrar qual era o nosso objectivo para aquela missão, vou tentar lembrar-me ou sonhar novamente, pode ser que consiga continuar a história.

2008-03-23

LUANDA DOS NOSSOS DIAS

video

Para matar saudades de alguns, bons momentos...

2007-09-07

GUERRA SEM FIM



Citando

“GUERRA SEM FIM “

Título de um trabalho publicado em» NOTÍCIAS MAGAZINE «15 de Julho de 2007 com Texto de Helena Mendonça, Fotografia Ricardo Meireles.

Caixa:
- Continuam em combate trinta anos após o fim da guerra colonial. À noite, são assolados pelas imagens de morte e chacina e, de dia, perpetuam o medo e a angústia. Vivem mal com eles próprios e com os outros. Uma equipa coordenada pela psicóloga Ângela Maia tentou saber quem são e como vivem hoje os ex-combatentes. Concluiu que, no mínimo trezentos mil homens poderão estar profundamente doentes e abandonados à sua sorte.

-As estatísticas dizem quase nada sobre as dores de alma de um ser humano, mas ajudam a entrar num universo de sofrimento que Portugal teima em ignorar três décadas depois do fim da guerra do Ultramar (1961-1974). Um estudo recente sobre um grupo de 350 ex-combatentes mostra que 38 por cento têm sintomas da chamada perturbação de stress pós-traumático (PTSD), uma taxa que nem o pós guerra do Vietname registou. Se é verdade, como apontam as estimativas, que um milhão de soldados esteve
nas guerras de Angola, Guiné e Moçambique e que dez mil morreram em combate, então, feitas as contas, serão cerca de 400 mil os homens neste momento expostos à doença. O dobro do esperado pela psicóloga Ângela Maia e muito mais do que a estimativa de 140 mil avançada pelos estudos do psiquiatra Afonso de Albuquerque. «Diria, sendo conservadora, que neste momento serão 300 mil os homens em situação de risco»

- Mais adiante

Mas a triste história dos homens que regressaram com vida de guerras por vezes tão ou mais marcantes do que a guerra do Vietname não se ficam pelos pesadelos e recordações do horror, alucinações ou o medo constante. As repercussões físicas são inevitáveis: 65 por cento relatam doenças do sistema nervoso, 41 por cento têm problemas gastrointestinais e 38 por cento sofrem do coração. Mais de 40 por cento reconhecem beber álcool em excesso para enfrentar o mal-estar...

- Mais adiante

«Estude-nos depressa doutora»
«Porque é que ainda não morri?» A interrogação, repetida mostra o fardo insuportável que estes homens carregam sem descanso nem fim à vista. O certo é que eles morrem mais do que os outros. Estudos nos E.U.A. revelaram uma probabilidade de morte cinco vezes maior entre os ex-combatentes, devido a suicídio, brigas comportamentos violentos consumos excessivos de álcool e acidentes vários. Embora se desconheça a realidade portuguesa, o apelo dirigido a Ângela Maia por um dirigente de uma associação de ex-combatentes - «estude-nos depressa doutora» patenteia a percepção de uma esperança de vida encurtada.A violência, a raiva, a revolta, a impulsividade, são sintomas da enorme pressão em que vivem. E as famílias as maiores vítimas. Aliás 37 por cento dos entrevistados admitem práticas de violência conjugal, do insulto à agressão, até partir objectos intencionalmente.


- Mais adiante -


O que fez até agora o Estado para tratar, ou pelo menos, minimizar o drama destas famílias? Quase nada com efeito real no corpo e na mente destes doentes. Em 1999 o governo publicou uma lei que declara a PTSD uma causa de deficiência. Anunciava-se a criação de uma «rede nacional de apoio» que desse resposta clínica e económica aos afectados. Oito anos depois, a tão propalada medida continua a não chegar aos que precisam.

À revolta provocada pela dor das memórias junta-se a raiva pelo abandono a que se sentem votados. Uns manifestam-se com o silêncio e o isolamento. Outros gritam sempre que podem o seu sofrimento, como o fazem nos estudos de Ângela Maia.

Uma nota final que a psicóloga insiste em transmitir: em todos os estudos a equipa de investigação tem a preocupação ética de encaminhar para os serviços competentes os homens que aceitam trazer à tona da memória os acontecimentos vividos, podendo com isso agravar o seu estado de saúde.«


Citei excertos de um estudo efectuado com ex-combatentes, por:

Ângela Maia (cordenadora)

Maria da Graça Alves

Eugênia Maria Fernandes

Marlene Pais da Silva

Filipa Felgueiras

Ana Margarida Mauricio

Mónica Lopes Fernandes
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2007-06-14

UMA VERDADE INCONVENIENTE

2007-05-07

BATALHÃO DE CAÇADORES 2891 35º CONVIVIO


























































Realizou-se no passado dia 5 do corrente mês o 35º Almoço Convívio do Batalhão de Caçadores 2891 de que faziam parte as Companhias CCS, 2611, 2612 e 2613, desta vez o evento teve lugar em Castelo de Paiva. Começou com a concentração dos antigos elementos do Batalhão junto à Rotunda dos Combatentes, onde foi prestada uma singela homenagem com um minuto de silêncio junto ao monumento ali erguido em memória de todos os militares daquele concelho, que perderam a vida por Portugal, nos vários cenários da guerra colonial. Seguiu-se uma missa em memória dos mesmos na Igreja de Fornos. Após a qual se seguiu o almoço que decorreu como sempre, em ameno convívio cada um trazendo à memória as velhas recordações da guerra.
No próximo ano o 36º, está previsto para se realizar na zona de Leiria, esperemos que possamos voltar a encontrar-nos todos novamente, e se possível mais alguns, pois este ano foram marcadas muitas faltas à “Formatura “.

2007-03-31

35º ALMOÇO CONVIVIO DO BATALÃO 2891

Vai realizar-se mais um almoço / convívio do nosso Batalhão desta vez será em Castelo de Paiva próximo dia 5 de Maio.
Lugar do encontro: Rotunda dos Combatentes en Castelo de Paiva pelas 10h 30m.
Às 11h.45m. saída para a Igreja Paroquial de Fornos, onde será celebrada missa por todosos nossos colegas falecidos.
No fim da missa partiremospara o restaurante Flor do Monte - Quinta da Bouça Velha em Souselos
Sem a tua presença não há convívios por isso não faltes.
A comissão organizadora
Mário Mendes da Silva - Tel: 255699188 - 936961725 a partir das 19 horas
Augusto da Rocha Melo - Tel: 255698188 - 913208447 a partir das 19 horas
Confirma a tua presença, assim como o número de pessoas que te acompanham, imperativamente até ao dia 22 de Abril para os telefones acima mencionados

OUTRAS MEMÓRIAS...


Não sei onde estás! De ti tenho apenas a memória, nada mais, um fugaz relampejo da tua imagem, foi ela a minha companheira de tantas caminhadas foste tu o sol que me iluminou tempos sem fim, mesmo sem te ver, tu estavas lá, estavas sempre lá, mas era à noite… era à noite que a tua presença mais se fazia sentir, quando estava só com os meus pensamentos, então tu aparecias ao meu lado com o teu sorriso malicioso os teus lábios carmim pedindo que te beijasse, então eu acariciava a tua pele clara e sedosa, encostava nos teus os meus lábios sedentos de amor, levemente, como se tivesse receio de te magoar. Acariciava ternamente os teus cabelos lisos e dourados, ouvia o leve sussurro dos teus lábios junto ao meu ouvido sentia a brisa suave e quente que saía da tua boca quando dizias, meu amor como eu te amo, nós somos loucos! Eu respondia num sussurro, sim, loucos de amor.

E era assim juntinhos segredando ao ouvido um do outro, os corpos entrelaçados como se fossem um só que finalmente vencido pelo sono adormecíamos. De vez em quando estranhos mas familiares ruídos acordavam-me, mas logo voltava a adormecer, nem o calor tropical nos afastava, nem mesmo o temor da guerra, (esta guerra que não tinha fim) o medo da morte, a angustia sentida em cada caminhada pelos trilhos e picadas das imensas matas do norte de Angola, fazia arrefecer este nosso amor, ele era mais forte de que tudo, um amor que tudo suportava. Nem a separação, nem mesmo morte que me espreitava em cada recanto daquela mata, atrás de cada árvore, nada nem ninguém assombra este amor feito de poesia, és a musa inspiradora das dezenas de poemas que fiz para ti.

Oh! Meu amor como é belo o teu sorriso quando te debruças no varandim da tua casa quando eu passo, quando te mostras atrás vidraça… num sorriso tímido, talvez a tua mãe tenha razão, quando te diz para teres cuidado, para não te envolveres muito, e que nós somos militares, e hoje estamos aqui amanhã sabe-se lá onde… mas quando penso que um dia nos separaremos então apodera-se de mim uma tristeza que não tem fim. Amanhã parto para o mato…é mais uma missão, sei que não deixarás de pensar em mim, tal como eu não vou deixar de pensar em ti, sei que rezarás para que nada me aconteça, e eu, à noite olhando o céu por entre o arvoredo desta mata imensa, verei as estrelas e em cada uma delas verei o teu belo rosto, os teus encantadores olhos azuis, brilhando no céu escuro.

E ouvir-te-ei dizer, meu amor, estou aqui, quando, inesperadamente, no céu uma estrela
cadente passar, tão forte tão brilhante, o seu rasto dourado assemelhar-se-há ao teu cabelo, tão louro e comprido como o rasto daquela estrela, então com um terno e doce beijo despeço-me de ti e finalmente adormeço! Mas continuarei, vendo-te ao meu lado tão bela tão doce que desejarei que a noite não mais tenha fim.

Repentinamente ecoaram pela mata estalidos secos de armas automáticas que me pareceram tão longínquos que fiquei por breves momentos a pensar onde estava, mas fui violentamente arrancado aos meus pensamentos pelo meu companheiro de abrigo; acorda pá estamos a ser atacados, o sol rompia já no horizonte, voltei então a ouvir estão a atacar-nos peguem nas vossas armas, continuem deitados no chão, os gajos acordam cedo dizia o meu companheiro do lado, vamos correr com eles dizia outro, poupem as munições, dizia o nosso Alferes, nada de rajadas, disparem só para o que virem mexer!!! Bazuca!!! Quem tem a bazuca ponha-se em posição sem se expor e aponta-me essa merda como deve ser, vai, fogo nos gajos, da boca em forma de sino, da Bazuca sai uma língua de fogo, aí vai ela, o projéctil rebentou com um forte estrondo ouvem-se mais alguns tiros vindos do outro lado da mata, e alguns impropérios a nosso respeito e das nossas mães, e já a bazuca voltava a vomitar metralha, novo rebentamento e não se ouviram mais tiros, o inimigo debandava já do local, um pequeno grupo foi fazer o reconhecimento do sítio do ataque, e apenas encontraram, alem de muitos invólucros de balas vazios, e um pequeno rasto de sangue provavelmente de algum ferido pelo nosso fogo, já os posemos a andar. A voz do Alferes fez-se ouvir, levantar o acampamento ainda temos dois dias pela frente, mexam-me essas pernas, e olhos bem abertos, só parámos algum tempo depois para o “ mata-bicho “ que o corpo não é de ferro.

Só então após ingerir duas bolachas “ Capitão “ e uma lata de leite com chocolate, e depois de acender um cigarro, retomei os meus pensamentos interrompidos pelo matraquear das automáticas, afinal até aqui, tudo não tinha passado de um sonho, a minha musa estaria bem longe dali, mas estava bem viva no meu pensamento.

2007-02-01

O DESPERTAR DOS COMBATENTES

Foi com enorme prazer que encontrei na minha caixa postal , o livro do Joaquim Coelho “ O Despertar dos Combatentes “ , esta não foi para mim a surpresa, porque já estava à espera, dado que o autor já me tinha prometido enviar.

A surpresa para mim, ( e ainda só li menos de metade ) foi verificar que as episódios narrados pelo camarada Joaquim Coelho, se passaram, pelo menos até onde eu li, nos mesmos locais, mais ou menos por onde eu andei, o meu Batalhão o 2891, cuja CCS se encontrava na Damba a minha Companhia a 2613 em Mucaba. Foi como reviver a minha passagem pelo Norte de Angola ressalvando as diferenças nos acontecimentos e no tempo , a uma distância de oito anos . Os pensamentos do autor, confesso que foram também muitas vezes os meus pensamentos.

Ele viveu directamente os acontecimentos de 1961, e toda aquela cena de horrores que se seguiram , em 1969 as sequelas ainda se mantinham vivas, tanto da parte dos colonos, como da parte de muitos dos naturais que escaparam ao turbilhão, que foi o eclodir do terrorismo.

Vou continuar a ler, e aconselho vivamente, a todos aqueles que combateram nas matas do Norte de Angola, e no geral a todos os antigos combatentes que leiam esta obra, vão com certeza rever-se em muitas das estórias nele contadas.
Ao Joaquim Coelho, o meu muito obrigado por ter a coragem de pôr preto no branco, aquilo que muitos pensam, e por comodismo ou falta de coragem, não o dizem.

Bem haja.

2007-01-18

MEMÓRIAS SOLTAS DE UM EX-COMBATENTE 18

««««««IMAGEM WIKIPEDIA»»»»»»
A FORMIGA KISSONDE
Na nossa passagem por África, durante os anos da guerra colonial, podemos contar outros episódios, não directamente ligados a combates, emboscadas, minas, etç, mas sim dependentes do meio ambiente, e para os quais na maior parte das vezes não estávamos preparados.

Todos sabemos mais ou menos, o nível de destruição causado por uma praga ou nuvem de gafanhotos, a vários níveis e principalmente ao nível das culturas.

O episódio que hoje vou relatar refere-se não a uma praga de gafanhotos, mas uma praga de uma formiga africana, o Kissonde, que tal como os gafanhotos, destroem tudo à sua passagem, calcule-se um campo de futebol que em vez de verde é vermelho, e de repente verificamos que o vermelho se deve a uma colónia das referidas formigas, em transito, e medindo cada uma pelo menos um centímetro de comprimento.

Qualquer ser vivo que se encontre no seu caminho pode ter morte certa se não conseguir escapar-lhe a tempo, quanto a nós humanos, quando damos por isso estamos cobertos por elas, e só quando começamos a sentir as sua tenazes, nos apercebemos do perigo, o que leva as pessoas a tirar toda a roupa, para se ver livre dos ditos bichinhos.

O episódio que vou relatar passou-se no aquartelamento da serra de Ambuila, quando perto das duas horas da madrugada, fomos « atacados » por uma dessas colónias de formigas, e não havia um centímetro quadrado que não estivesse coberto por essas terríveis obreiras, alguns de nós só demos por isso quando a cama já estava cheia.

Dado o adiantado da hora o gerador já estava desligado, gerou-se um verdadeiro pandemónio, valeu-nos uns quantos litros de um poderoso desinfectante que tinha no posto de socorros que fomos diluindo em baldes de água que era espalhada pelo chão, primeiro nas “barracas” casernas, depois foi espalhar pelo chão do aquartelamento e assim nos vimos livres dos minúsculos mas terríveis atacantes.

2006-09-13

MEMÓRIAS SOLTAS DE UM EX-COMBATENTE-17


AQUARTELAMENTO DA SERRA DE AMBUILA NO QUITEXE

A história de hoje poderá parecer ficção, mas não é, passou-se na minha companhia e foi mais um episódio daqueles que a guerra colonial terá às centenas nas suas páginas, a única ficção aqui será o nome do nosso camarada, porque não sei se é vivo se regressou a Portugal ou não,
E para que não ferir sensibilidades, vou chamar-lhe apenas João, o pessoal da Cª.2613 saberá a quem me refiro.

O João chegou à nossa Cª. transferido de outra companhia, que tinha regressado à metrópole e na qual por castigo, ele não foi, não sei o que terá feito nem tão pouco fiz questão de saber, as poucas conversas que tivemos passaram-se no posto médico, e versavam somente sobre questões de saúde, embora soubesse que ele era um pouco problemático a nível de convivência, dentro da caserna com os outros camaradas, chegou a dizer-me quando ia ao posto médico, em jeito de desabafo,” um dia mato um gajo e depois dou um tiro na cabeça”, eu tentava sempre desviar a conversa para outro campo, e ele falava sem nunca se abrir muito sobre o seu passado e saia, normalmente parecendo mais aliviado.

O caso passou-se numa das nossas estadias na Serra de Ambuíla, para onde a Companhia tinha que, de três em três meses enviar para lá um grupo de combate, ora o João foi tal como eu integrado num desses grupos de combate, um certo dia, tivemos que ir como era habitual, ao Quitexe buscar o reabastecimento e a água que não havia no cimo da serra. Aqueles que tinham incumbências iam tratar das mesmas, os outros depositavam as armas no depósito de armamento e podia ir “divertir-se “ até à hora de regresso à serra. O nosso amigo, o soldado João, desapareceu na Sanzala e só apareceu mesmo em cima da hora do regresso, mas não vinha “só “ trazia com ele uma pedrada de cangonha ( Liamba ) que mal conseguia abrir os olhos, ninguém lhe disse nada, e ele também fez o mesmo.

Passaria pouco das 21:30, hora a que normalmente se desligava o gerador, cada um já se tinha recolhido aos seus aposentos,( leia-se barracas pré fabricadas ) quando várias rajadas de arma automática se fizeram ouvir quase junto às nossas cabeças, todos tememos e pensamos o pior, os “ gajos “ conseguiram iludir os sentinelas e estão atrás das barracas, estão cá dentro! Eu dei um salto da cama, agarrei na G3, e rastejei para fora e coloquei-me ao canto da barraca tentando perceber como é que aquilo tinha acontecido, quando alguém grita… é o João, é cá dentro, saltei de imediato para a parte de traz da barraca e deitei-me no chão, foi o que me salvou, do sítio onde antes estivera a minha cabeça saltaram estilhaços de madeira quando por lá saiu uma das balas da G3, ainda fiquei com farpas da madeira espetadas na cara. O João tinha aumentado a “pedrada “ da tarde, e estava no meio do aquartelamento com uma G3 e vários carregadores e quatro granadas no cinturão, e disparava para tudo o que era barraca. A sorte de não ter apanhado ninguém, foi possivelmente porque estávamos todos deitados e as rajadas seriam um pouco acima da cintura, despejou 3 carregadores.

Agora o problema era, como desarmar o fulano? Todos estávamos armados, mas ninguém tinha coragem de disparar sobre um camarada que todos sabíamos, não estava no seu perfeito raciocínio. O que nos valeu foi que um dos madeireiros conseguiu sem que ele se apercebesse, subir para uma máquina de terraplanagem que estava por de traz dele e saltar--lhe para cima desarmando-o. Nessa noite ele passou-a amarrado e vigiado de perto, na manhã seguinte foi levado ao Quartel do Quitexe onde ficou detido, nesse dia foi ouvido e ficou em liberdade, à noite apareceu no aquartelamento da Ambuíla, a pé e desarmado, cerca de 12 ou 13 quilómetros, em zona de guerrilha, como estava consciente embora não se lembrando o que tinha feito, foi deixado ficar até regressar-mos a Mucaba donde foi transferido para a CCS que o terá enviado para Luanda com mais um processo.

Mais tarde, quando de uma minha deslocação a Luanda para uma consulta externa no Hospital Militar e tendo ficado no Depósito Geral de Adidos (era pior que o manicómio) fui encontrar o nosso amigo João, que continuava a fazer das suas, nesse dia o Comandante do D.G.A. recusou-se a assinar-lhe uma dispensa de recolher, (sabe-se lá porquê!) o João quis falar com ele, mas o Comandante não o recebeu, o João para se vingar arrancou e comeu várias plantas que estavam à porta do Gabinete do Comando, e não tendo ficado satisfeito, subiu para uma árvore com uma faca de mato na boca, passava de ramo para ramo gritando que era o Tarzam, tentei falar com ele mas não me ouviu, enquanto isso a P.M. chamada pelo comandante do D.G.A. tentava prende-lo!

2006-08-28

MEMÓRIAS SOLTAS DE UM EX-COMBATENTE -16


O MEU XARÁ
Era um negro alto e magro, aparentemente com uns cinquenta anos, apoiado numa muleta toscamente feita de um ramo em forma de forqueta, almofadada com alguns trapos velhos, o pé direito pendia inerte e com várias cicatrizes, eram cerca das 16 horas estava eu a arrumar o posto médico, ele falou qualquer coisa com o sentinela da porta de armas, que lhe indicou o caminho para o posto de socorros que ficava em frente à entrada do quartel, subiu com algum custo os três degraus que dava para o patamar, já eu vinha ao seu encontro.

Então o que se passa perguntei, senhor enfermeiro eu vem buscar o dotor porque mulher tem o bebé travado, O quê? Perguntei eu já adivinhando que o que quer que fosse, para me calhar a mim tinha que ser coisa boa, ainda por azar o Dr. Mendonça não estava na vila, O Doutor não está cá, explica-me isso melhor. Ele então tinha vindo da casa dele, porque a mulher estava para ter bebé e o bebé não saía, e ele não conseguia ajudar.

Ele tinha feito a pé cerca de 12 quilómetros de muleta, enquanto a mulher tinha ficado sozinha a dar à luz, foi então que me disse que viviam sozinhos numa palhota no meio do mato próximo da picada e a sanzala mais próxima ficava a seis ou sete quilómetros.

Lá fui à ferrugem para ver se havia alguma viatura e condutor disponível, salvo erro foi o Lixa, mesmo para se aventurar picada a fora, só comigo e com o negro quebrando todas as regras de segurança, só ele que já era “cacimbado” antes de apanhar o cacimbo, mas como era uma questão de saúde, talvez até de vida ou morte, metemo-nos no Jeep e lá fomos picada fora, mais voado que rodando, por vários motivos, com a pressa nenhum de nós levou arma.

Pelo caminho eu só pensava o que é que eu ia fazer quando lá chegasse, pois nunca tinha assistido a um parto e ainda para mais sozinho, quando lá chegamos, a mulher continuava em trabalho de parto deitada numa esteira, mas felizmente já tinha metade da criança cá fora, não me recordo de ter usado luvas, também ainda não se falava da SIDA, peguei numa toalha que estava à mão coloquei por baixo da criança como que a embrulha-la e tentei ajudar a mãe puxando para mim o bebé até que este saiu completamente.

Com duas pinças fechei o cordão umbilical do lado do bebé e do lado da placenta, depois cortei e dei um nó o mais próximo possível do abdómen da criança, entretanto a mãe já tinha uma toalha e começou a limpa-lo, dei à mãe uma injecção de Methergin, para quem não sabe é um Uterotónico para ajudar a recuperar e evitar alguma hemorragia posterior ah! O bebé começou a chorar sem ninguém lhe bater.

Depois de tudo mais calmo sentei-me a falar com o pai da criança, perguntei-lhe porque viviam ali tão isolados, foi depois de alguma insistência minha que ele me contou que não era dali que durante as “ Macas “ (para quem não sabe, as macas eram a guera os cobates enfim a confusão do começoda guerra) de 1961 tinha vindo com outros que também andavam nas Macas, mas depois uma bomba de um avião matou muitos, ele ficou ferido só naquele pé que ficou sem andar, esteve seis anos escondido na mata, depois encontrou aquela mulher fizeram a casa e ficaram por ali, porque os da sanzala não os queriam lá.

Depois fez-me um convite para ficar a ser o seu Xará, (não sei se é assim que se escreve em Quicongo) ou seja seu compadre, padrinho do bebé, então eu concordei, mas depois tive que ir ao posto de administração fazer o registo do afilhado, que ficou a chamar-se Edgar Moreno mais o apelido do pai que não me lembro qual era.

Bem o meu Xará todas as semanas me ia levar ao quartel, fruta, maluve, outras vezes frangos ou galinhas, enfim coisas de compadres, eu em contrapartida dava-lhe vitaminas, comprimidos, para as dores etc. Coisas de compadres

2006-08-27

MEMÓRIAS SOLTAS DE UM EX-COMBATENTE -15


HOJE TENHO UM MAU PRESSENTIMENTO

Antes de me deitar preparei o saco porque de manhã partíamos para mais uma missão na Serra de Mucaba, desta vez eu sabia para que lado ia, ia-mos de unimogue até à fazenda do
Virúla, e dali seguia-mos para norte, íamos procurar e destruir, o que segundo as informações, era um grande aquartelamento dos guerrilheiros, e eu estava com um mau pressentimento, em vez da pistola Wallter que poderia levar, resolvi levar a G3, era mais pesada mas dava-me mais conforto, duas granadas defensivas e cinco carregadores para a G3 completavam o arsenal, de manhã antes de partir prepararia e reforçaria a bolsa de enfermeiro.

Passados os cafezais, seguimos um capinzal no qual não nos via-mos uns aos outros o capim tinha mais de dois metros de altura, e estava tão seco que estalava a cada pisadela, só me lembrava o que um simples fósforo poderia fazer ali se fosse colocado no sitio certo, e ainda estava-mos a cerca de 500 metros da mata, só descansei quando começamos a embrenhar-mo-nos na mata, aí teríamos outros perigos mas pelo menos sabia-mos que não ardia.

Já todos dentro da mata começámos a abrir caminho com o guia à nossa frente brandindo a catana contra ramos de fetos e lianas qual Dom Quixote brandindo a espada, depois de um ou dois quilómetros de mata cerrada em que apenas se ouvia o ruído da catana cortando ramos e o estalar de outros debaixo das nossas botas, eis que surge um trilho bem calcado, era hora de confrontar com a bússola e o mapa, para que lado seguiría-mos, o Alferes, salvo erro Martins, colocou a bússola sobre o mapa e traçou um caminho que se os cálculos não estivesse errados nos levaria até ao objectivo.

Como o caminho traçado coincidia com a direcção do trilho, seguimos este tendo o cuidado de pisar mais fora do trilho pois este poderia estar armadilhado, e era o que menos interessava naquele momento era topar com alguma Mina A.P., encontramos nesse trilho várias armadilhas para javalis, feitas com pequenos laços em cabo de aço fino que era disfarçado ardilosamente numa pequena vedação de ramagem ao longo do trilho, em que deixavam um buraco, o bicho tentava passar pelo buraco, passava a cabeça mas já não passava o corpo, e como a ponta do cabo estava presa a uma árvore, o laço apertava e o animal já dali não se safava.

A existência dessas armadilhas deu-nos a certeza de que estávamos no bom caminho, durante algum tempo o trilho levou-nos por um vale de mata bastante cerrada, até que começamos a subir uma pequena encosta e para nossa surpresa repentinamente o silêncio da mata foi cortado pelo ruído característico de rajadas de espingardas automáticas, pelo cantar deveriam ser uzis e kalasnikove as balas assobiavam-nos aos ouvidos, vindas do cimo da encosta que nos preparava-mos para subir.

Atirei-me para o chão e rastejei até ao tronco grosso de uma árvore, quem do cimo do morro estava a atirar na minha direcção, deveria ter fraca pontaria pois só me caíam para cima lascas da árvore, que estava a ficar toda descascada, coloquei-me a jeito e comecei a disparar a G3 em curtas rajadas para o local de onde vinham os tiros, encolhido atrás de mim estava um dos carregadores negros que tremia como varas verdes (como se costuma dizer). Entretanto o homem da Bazuca, que não me recordo quem era, apontava já a dita para o alto do morro.

A primeira bazucada falhou o alvo, a segunda deve ter rebentado numa arvore mesmo por cima do aquartelamento do inimigo, os tiros cessaram no alto do morro, e nós deixamos também de disparar, perguntei em surdina se alguém estava ferido, felizmente a resposta foi negativa, tirando o nervoso “ miudinho “ estava tudo bem, atiramos duas ou três granadas lá para cima e preparamos para, com os devidos cuidados, subir para finalizar a nossa missão, destruir aquela posição dos guerrilheiros.

Os primeiros a entrar no acampamento, tomaram as devidas posições de defesa de modo a evitar alguma surpresa, pois embora já não estivesse ninguém, poderiam preparar um contra-ataque enquanto estivéssemos ocupadas a queimar as palhotas. Aquele devia ser um verdadeiro centro de comando, as cubatas formavam um círculo, tinha telhado de folhas de zinco ondulada, no centro do acampamento, construída em madeira embora fixa ao chão uma mesa com uns 3 metros de comprido à volta várias cadeiras construídas com troncos também fixadas ao chão, um mastro de bandeira, e um quadro de madeira para fixar ordens de serviço e comunicados.

Um dos camaradas encontrou até um sistema de saneamento, ao sentir que o chão que pisava soava a oco levantou uma tábua e meteu a mão pensando encontrar algo valioso, ou algum depósito de munições, e o que encontrou foi uma fossa cheia de trampa… depois de vistoriadas todas as cubatas foi a vez de entrarem em acção os fósforos e isqueiros, e em poucos minutos estava tudo a arder.

Depois foi a retirada do local enquanto era dia, depois de escurecer tornava-se mais perigoso encontrar um bom local para montar o acampamento, uma vez que o nosso objectivo tinha sido alcançado com êxito, foi decidido sair da mata onde seria mais fácil para os nossos amigos guerrilheiros montar-nos uma emboscada, já que estariam desejosos de se vingar. Já começava a desaparecer o sol no horizonte quando alcançamos a orla da floresta, entramos no capinzal e no primeiro morro acampamos a coberto do capim.

A noite passou sem problemas, aos primeiros raios de luz, levantamo-nos e começamos cada um a preparar o “ mata-bicho “ bolachas Capitão com marmelada e um pacote de leite com chocolate, acho que não cheguei a dar primeira dentada, dum pequeno tufo de arvoredo a uns 200 metros, os nossos amigos quiseram fazer a alvorada, os tiros de armas automáticas fizeram-se ouvir no silêncio da manhã, tinham-nos seguido e tentaram dali alcançar o morro onde nos encontrava-mos. Como já não estávamos a dormir, ripostamos, mas possivelmente nós estava-mos mais visíveis, e estávamos a dar tiros no escuro.

A solução era a velha bazuca, o primeiro disparo foi um pouco para lá do alvo mas o segundo acertou em cheio, ao som dos vários nomes que nos costumavam chamar, à mistura com algumas ofensas às nossas mães, lá abandonaram o local e nem valia a pena lá ir pois nunca deixavam nada para traz, acabamos a nossa refeição da manhã, e seguimos pois tinha-mos um encontro marcado com os “ Burros “ de mato alguns quilómetros mais à frente.

Afinal, tinha sido só um mau pressentimento, tudo correu dentro do normal, até à próxima operação!

MEMÓRIAS SOLTAS DE UM EX-COMBATENTE 14


DIA DO CORREIO

Onze horas no quartel de Mucaba, o Duarte está à porta do Posto de Rádio com o “Banana “ na mão, (o Banana era um Rádio portátil que tinha o feitio de uma grande banana) já naquela altura estava obsoleto, mas era o que havia, e como quem não tem cão caça com gato, diz o ditado popular, os radiotelefonistas caçavam com o Banana.

Cobra chama mosca, cobra chama mosca, escuto …mas a mosca estava surda ou estava fora do alcance de qualquer Banana, mas ele continuava… cobra chamando mosca alooo mosca cobra chama escuto, e o Duarte olhava para os lados da serra tentando vislumbrar alguma coisa que se parecesse com o mosca que era a pequena avioneta da FAP que nos levava o correio.

Então o rádio começava a crepitar e quase ao mesmo tempo ouvia-se o roncar longínquo do pequeno avião, e já se podia ouvir falar o Banana, mosca chama cobra, mosca chama cobra escuto, ROGER respondia o Duarte, escutado em perfeitas condições, vou mandar preparar a pista, passo à escuta… OK cobra dentro de 5 minutos estou por aí OK mosca aqui cobra, tudo correcto terminado. Entretanto como a pista de aterragem ficava a cerca de um quilómetro seguia de imediato um carro com três ou quatro homens para fazerem a respectiva segurança à pista, à aeronave e ao seu piloto.

Recebido o correio que chega, e entregue o correio para enviar, a avioneta levanta voo em segurança, e os homens regressam ao quartel, na secretaria separa-se o correio particular do correio oficial, o "nosso" Sargento sai da secretaria trazendo o esperado molho de certas aerogramas etç. Como de costume sobe à base do mastro da bandeira, com todos os camaradas que se encontram no quartel, à sua volta, e começa a ler os nomes de cada um que tinha correio, que respondia o habitual “pronto” e o Sargento vai lendo a seguir a cada “pronto”. A seguir começa a ler um nome e repentinamente para de ler, faz-se silêncio geral, o “nosso” Sargento guarda a carta no bolso da camisa, e escondendo a emoção continua a ler os restantes nomes, e a distribuir o resto do correio.

Naquele "dia do correio", a mosca trouxe uma carta que tendo chegado ao destino, já não encontrou o destinatário, possivelmente quem enviou aquela carta, terá recebido quem sabe, se ao mesmo tempo, a informação do Exército de que o seu ente querido tinha honradamente perdido a vida, ao serviço da Nação.
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AOS CAMARADAS QUE TOMBARAM EM TODOS OS CENÁRIOS DE GUERRA !

2006-08-16

RAPAZES DA COMPANHIA 2613

Rapazes do meu tempo esta foto foi-me oferecida no ultimo almoço, foi feita em Maio de 2003, eu não estava presente.

2006-08-01

MEMÓRIAS SOLTAS DE UM EX-COMBATENTE 13

ERA MAIS UMA OPERAÇÃO

Era mais uma operação na Serra de Mucaba, como sempre o destino era segredo, não nos podia-mos dar ao luxo de saber de ante mão para onde e o que íamos fazer, só o Alferes que comandava o grupo de combate, e possivelmente o Furriel, o sabiam.

O quartel era aberto devido a não haver na Vila de Mucaba serviços de saúde civis, era a tropa, Médico e Enfermeiros, que prestavam esses serviços, então havia muitos olhos e ouvidos que parecendo que não, poderiam estar atentos.

Os Unimogs mais conhecidos por burros de mato, deixaram-nos na última Sanzala mais próxima da mata por onde iríamos desaparecer pelo menos por uns quatro ou cinco dias, foi a altura de saber qual era o objectivo.

Um voo de reconhecimento da Força Aérea, detectou o que poderia ser um acampamento inimigo, o nosso objectivo seria destruir esse mesmo acampamento, ao fim de dois dias a caminhar por sítios já nossos conhecidos, fomos encontrar uma cubata que parecia abandonada. Destruído o objectivo, estávamos de regresso, quando sentimos passos no trilho, tomados os devidos cuidados preparou-se uma emboscada para o que se pensava seria um grupo inimigo.

A espera foi curta, o nosso inimigo era um negro com uns dois metros de altura e com o ar de louco mais pacífico do mundo, mas naquelas matas um tipo sozinho dá para desconfiar, fez-se um interrogatório, o “prisioneiro” pouco falava, estava era cheio de medo, chegou-se à conclusão que realmente ele estava sozinho, como já lhe tínhamos destruído a casa, levamo-lo connosco o único nome que disse foi Zé, chamava-se Zé, e estava ali escondido desde o tempo das “ macas “ o começo da guerra, 1961.

Chegados ao quartel, e depois de várias investigações, e de o Zé ficar de “ quarentena “ uns tempos, chegou-se à conclusão que o Zé era apenas um pobre diabo sem identificação sem família conhecida, e que só sabia que se chamava Zé e com tantos anos de mato sozinho estava cacimbado. O Zé ficou no quartel, dormia onde calhava e comia do rancho ajudava aqui e ali, e foi o meu mestre a tirar Matacanhas, coisa que era preciso uma certa mestria.

Para quem não sabe, a Matacanha ou pulga penetrante, é um pequeno parasita que há em África, que penetra na pele normalmente nos pés, fecha-se num saco e vai pondo ovos, como se fosse um casulo, chegando a atingir o tamanho de um pequeno berlinde. Para ser tirado não se pode rebentar o saco, caso contrário passado pouco tempo irá haver no pé da pessoa centenas de sacos cheios de ovos. Então a pele tinha que ser cortada, com um canivete bem afiado ou um bisturi, à volta do saco que só esta preso por fora, e tirar o saco inteirinho, isso eu aprendi com o ZÈ